quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Afetos

Hoje, os pais da Eugênia nos telefonaram. Ontem eu falei com minha avó e no domingo último liguei pra minha mãe. Já pela web troquei algumas mensagens com meus primos, tios e irmãos e deixei recados ao meu pai.

Com a distância é muito bom receber o afeto da família. Pessoas amadas e extremamente respeitadas que nos acompanham de coração e espírito por qualquer lugar, mesmo que em outro continente, como é o caso.

Aproveito para somar aos telefonemas, o carinho dos amigos também pela Internet.

Abraços nossos em todos!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Segura na mão de Deus e vai!

No último sábado, dia 07 de novembro, eu e Eugênia ficamos responsáveis por apresentar o resumo de um texto sobre Estudos Organizacionais (para a disciplina que leva o mesmo nome) de um autor chamado Karl Weick. É a disciplina que mais gostamos por aqui, apesar de ser ministrada aos sábados logo cedo (vocês sabem que a gente facilmente se adapta a vida boa de poder acordar um pouco mais tarde, né? Na verdade, eu nasci pra ela, que o dia meu concunhado Rogério! Hehe).

Nessa aula, só para contextualizar, o professor quis separar a dupla de brasileiros e, para que isso não acontecesse, utilizamos dois argumentos: (eu) eu preciso da inteligência e do inglês dela; (eugênia) o que Deus uniu ninguém separa, professor. O professor riu, claro.

Na verdade, acredito que o professor dessa disciplina (o nome dele também é Rogério) se diverte um bocado com a gente. Para falar sobre estratégias organizacionais movidas pela fé, geralmente pela fé em um líder (que é um dos tópicos do texto), Eugênia citou como exemplo a frase brasileira “Segura na mão de Deus e vai”. O professor adorou e a turma bolou de rir.

Passada a apresentação, em que explicamos também o sentido de “marola” (palavra usada pelo presidente Lula ao se referir aos pequenos impactos da crise financeira no Brasil), muitos dos colegas nos pararam para dizer que tinham ganho o dia ao aprenderem as novas expressões.

Uma das colegas, a Henedina, disse algo parecido com o seguinte: “Eu já praticava muito o ‘segura na mão de Deus e vai’, só não sabia que essa era a expressão que definia minha atitude”.

Deu para notar que Eugênia deu um jeito de empregar com competência e sentido o seu forte catolicismo numa aula que, muitas vezes, aborda questões de caráter puramente econômico. Genial, não?

Depois o professor quer me separar dela. De jeito nenhum! hehe

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Burocracia, sempre ela

Fomos tirar nosso cartão de residência hoje no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras daqui (SEF) que cuida de nós, imigrantes. Os estrangeiros com visto precisam deste cartão para fazer tudo por aqui. Se não tirar tem uma multa, ou coima como eles dizem, de mais de 40 euros por dia. Agendado por telefone há quase um mês, nosso horário era meio-dia. Graças a nossos pais que surtaram em Fortaleza pra nos enviar os documentos devidamente reconhecidos pelo Consulado brasileiro no tempo necessário, estávamos preparados. Chegamos às 11:50. Pois bem.

Primeiro você recebe uma senha A para conferirem seus documentos. Às 13:15 fomos atendidos. Tudo certo? Tudo certo, pois agora peguem aquela fila e troquem essa senha A por uma D. Ah, tá. Neste momento descobrimos que tem um valorzinho de 30 euros a pagar por pessoa. Coisa que não estava no site e que ninguém nos avisou nas DUAS vezes que ligamos para confirmar quais eram os passos para tirar o cartão. Eu fiquei lá e o Paulo saiu em busca de um caixa que aceitasse o Visa Travel em tempo recorde.

Às 14 horas, fomos chamados. Conferem os documentos de novo. Tiram nossa foto, recolhem impressão digital das duas mãos, assinamos pro computador registrar. Tudo certo? Tudo, pois agora peguem a fila e troquem a senha D por uma G. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... Às 16:40 nos chamam, conferem os documentos (não vou comentar), digitalizam os tais documentos. Assinamos outra vez. Tudo certo? Tudo, pois agora troquem a senha G por uma K. Desta vez, foram só 2 minutos para nos chamar. Pagamos e como diria o ratinho que toma banho no Castelo Ra-Tim-Bum: agora acabou.

Saímos às 17:30. Sim, cinco horas e meia para resolver isso.

Importantíssimo: os funcionários do SEF foram educadíssimos. Eles nos tratam bem e distribuem vários sorrisos. E olha que o horário deles termina às 16 e eles não recebem hora extra desde abril. Foram avisados hoje que essas horas irão para um banco de horas, tem gente lá com mais de 800 horas. E estavam todos lá, até quase 18 horas nos atendendo com prontidão. Ninguém merece, nem eles nem nós.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Vaidades no frio

Quem me conhece sabe que eu não sou a pessoa mais vaidosa do mundo. Mas tem certas coisas que viram necessidade quando a pessoa muda de clima. Quando nós chegamos a temperatura ficava entre 15 e 25 graus, agora estamos indo de 13 a 19. A situação tá ficando complicada.

O primeiro alerta para os meus novos hábitos veio da Talita: "Tu já comprou o secador ou trouxe do Brasil?". "Olha pra minha cara, Talita, eu lá uso isso!" (reagi quase ofendida e fazendo cara de mulher superior). "Ô antinha, e quando tiver fazendo zero graus e tu quiser lavar o cabelo vai fazer o quê? (reagiu a Talita mostrando uma sabedoria que eu não tinha alcançado). Lá fui eu comprar o secador de cabelos, meu primeiro na vida.

Outra compra que precisou ser feita foi de roupa para frio. A Zara e a C&A daqui foram consultadas e nós compramos casacos para um frio, digamos, mais punk. E roupa de dormir com calça e manga comprida, coisa que não teria nem em sonho no Ceará. Para completar, um par de botas porque sandália tá fora de cogitação até janeiro.

Superada esta fase, eu olho para os meus braços e um susto: minha pele tá tão seca que está descascando! Imagine as pernas. Como pode? Explicação: a umidade do ar aqui é baixa pra caramba. Lá vou eu me banhar de hidratante diariamente e usar manteiga de cacau nos lábios direto.


E nesta semana eu fui viver minha primeira experiência em salão de beleza. A cera que eles usam é uma rosa, que não precisa usar perlon, ela endurece e puxam a cera mesmo. Dói mais mesmo com cera quente. Me deu muita, muita saudade da Adriana em Fortaleza. Melhor depiladora do mundo. A depiladora daqui foi mais ou menos simpática ou mais ou menos antipática, dependendo do otimismo de quem encare. "De que é feita a cera da senhora?", ela: "Não sei, já vem pronta. Claro". "Sim, minha senhora, mas quais os compenentes?", ela: "Não sei". Aí a pessoa respira muito fundo e pensa que esta mulher vai estar com o poder de lhe causar muita dor em poucos minutos. "Minha querida senhora, e como eu sei que não vou ter alergia a cera?", ela: "Ah, é isso? Eu testo um pouquinho". Felizmente eu não tinha alergia. Nem à cera nem à depiladora.

Dia de arrumação

Hoje foi dia de faxina aqui em casa. É nesses dias, pelo trabalho que se dá, que toda a dita elegância em torno da experiência de se viver na Europa vai pro espaço. Limpa banheiro daqui, limpa cozinha por acolá, varre-se, passa pano. Molha e enxuga. Põe de molho, põe a máquina de lavar pra funcionar.

Eu e Eugênia costumamos, para descontrair, claro, estipular prazo para terminar a peleja. A cada limpeza, um novo prazo (duas horas e meia, duas horas), ao passo em que a gente divide e se divide para terminar o que ainda resta por fazer.

A casa fica cheirosa, limpinha, arrumada, dá gosto de ver, apesar do trabalho que dá. E assim a gente vai levando, tentando sujar pouco, utilizar menos talheres e panelas, para que, na próxima faxina, fique a sensação de que há menos coisa pra fazer. Será? Hehe.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Um, dois, feijão com arroz!

Pois bem, família e amigos, hoje, depois da experiência de cuidar de uma casa sem Lana e sem mães, posso dizer que, incrivelmente e felizmente, os dotes culinários já nos acompanham.

Eugênia está uma exímia cozinheira e só me restou acompanha-la nos feitos. Foi-se o tempo em que nem um ovo eu sabia fritar! Hehe. Agora, do macarrão ao feijão com arroz; do camarão ao bife, a gente já consegue desenrolar e bem, muito bem, diga-se de passagem.

Ontem mesmo estreamos o feijão. É, encontramos feijão por aqui. E não sei se por conta da saudade ou por conta da fome mesmo ele estava uma delícia. Na verdade, se sobressai aqui a dedicação da Eugênia, que por dias acompanhou os feijões de molho e ainda os temperou bem, acrescentando a elas pedacinhos de bacon. Bom demais!

Quem vier nos visitar terá o privilégio de experimentar alguns desses pratos, por enquanto, os poucos agraciados têm sido mesmo Talita e Fernando! hehe

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Depois da Maitê, ainda bem que existem as Havaianas e o Lula











Mesmo depois da Maitê Proença (vejam em http://www.bluebus.com.br/show/2/9294 /saia_justa_queima_o_filme_do_gnt_em_portugal_que_vergonha), ridiculamente, falar mal dos portugueses e ainda colocar esse tal discurso xenofóbico em rede internacional (via GNT) as menções ao Brasil são muitas (e positivas) por Lisboa.

O Lula é extremamente admirado e há quem acredite que a estabilidade brasileira (já que o tema crise está muito forte aqui) vá por terra quando o Governo do PT se encerrar no próximo pleito.

Ontem mesmo, no intervalo, entre um tempo de aula e outro, um amigo de sala português, interessado em investir na bolsa brasileira, veio me perguntar sobre o cenário político do Brasil para o próximo ano.

Uma conversa boa, que no Brasil provavelmente aconteceria em uma mesa de bar, mas que reflete, bem diferente do que disse a Maitê, muito do relacionamento que os patrícios mantêm de proximidade conosco.

Em sala já, eu e Eugênia, levados por esse respeito ao Brasil e as inúmeras menções a nós (que felizmente nos surpreendeu), optamos por trabalhar o nosso País nos artigos e apresentações acadêmicas.

Em pauta, no momento, em um trabalho para a disciplina Comportamento do Consumidor, as nossas velhas, boas e internacionais Havaianas, que, como nós, “não deformam, não soltam as tiras” (hehe), como já dizia os anúncios da marca da década de 1980. Viva o Brasil! Viva Portugal!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Cativantes

Antes mesmo de viajarmos para Portugal, algumas pessoas já nos avisavam que as pessoas daqui não eram tão calorosas, que o clima, a rotina e, principalmente, as diferenças culturais em relação a nós ajudavam a acentuar isso.

Em parte, a informação é verdadeira, mas só em parte. Isso porque, apesar da distância de muitos, alguns outros acabaram por nos surpreender. Que o digam os proprietários do apartamento que alugamos aqui. Beatriz e José parecem brasileiros, no melhor sentido da característica!

Ela não só nos ajudou em muito com o próprio apartamento, trazendo móveis e mobílias da própria casa, como também nos levou a lojas onde, para o que faltava, em móveis e eletrodomésticos, o preço era mais em conta. Uma dedicação gratuita, por pura generosidade, amizade mesmo. O José, por sinal, adora o Nordeste do Brasil, tem até apartamentos em Natal e, volta e meia, pensa em se mudar definitivamente ao nosso País.

Gente que se desapegou de qualquer tipo de preconceito, que ainda existe por aqui e que alguns poucos do nosso País ajudam a reforçar, e conseguiu tirar da nossa terra o que ela consegue oferecer de mais humano.

Uma simpatia recíproca, dá pra notar, e uma segurança que passamos a ter também, em uma terra tão semelhante e, ao mesmo tempo, tão diferente da nossa. Na última visita que Beatriz nos fez, trouxe umas frutas daqui, que ainda temos que experimentar como “batida”, termo usado por ela para se referir aos nossos sucos com leite (hehe), e o José não se fez de rogado e esticou a gentileza para um convite de passeio, com o objetivo de conhecermos ainda mais a cidade.

Foi com eles que deixamos de ver a Lisboa do subterrâneo (a dos Metrôs) e passamos a conhecer a da superfície, que oscila entre o antigo e o moderno, o tradicional e o ostentoso. Voltamos a ser caroneiros, gente! hehe

A Talita e o Fernando, que também vieram com a gente pras bandas de cá, justificam a atenção com a seguinte frase, cheia de humor: “Nós somos cativantes, gente!” hehe. Na verdade, o que se viu com Beatriz e José foi o melhor exemplo de seres humanos, que podem ajudar outros, independentemente de cultura ou classe social. Isso é que é humanidade, né não?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O mini preço e suas grandes marcas

Primeiro dia em casa e lá fui eu: ao supermercado! Nossa senhoria me indicou os mais baratos aqui perto e tem um na nossa rua, do mesmo lado da calçada, o Minipreço. O Paulo teve que ficar com ela na casa e eu peguei minha ecobag e me mandei. Todo mundo aqui sai com suas próprias sacolas porque os supermercados cobram pelos sacos de plástico. É o melhor jeito de estimular a consciência ecológica.

Claro que eu sei fazer supermercado, sempre fizemos em Fortaleza. Mas você só entende o que é o poder da publicidade quando se depara com uma loja cheia de marcas desconhecidas. Olhei para um lado e para outro. Bom, então vamos na mais barata, né? Vamos mas com uma insegurança...O pior é quando as coisas mudam de nome. Água sanitária? Não existe. E sabão? Desinfetante?

Olhei para um lado e para outro. Duas senhoras dando sopa. "Faz favor, para lavar roupa na máquina, que produto a senhora me recomenda?" A mulher deve ter me achado retardada, mas me levou até o detergente para roupa. A partir daí colei na dela, o que a mulher pegava eu ia junto. Água sanitária aqui é substituída por um produto chamado Lixivia. Tem muitos tipos de macarrão e de molhos. Quase não tem feijão. Fruta e verdura é outra história, complicada. Na primeira vez, esqueci dos fósforos. Na segunda, fui até ao caixa: "Onde ficam os fósforos?" "Ao lado das traves para lareiras". "Aaaah, sempre achei q era lá mesmo.." "A senhora sabe o que são traves de lareira?" "Não (um não bem humilde e tímido)". Lá foi ele me mostrar.

Depois vi na televisão uma propaganda do Minipreço. Ele tem a própria marca de produtos, a Dia, que eles chamam "a grande marca do Minipreço". As marcas dos supermercados são sempre as mais baratas. Desconfiada fui conferir. Sim, TUDO que eu comprei era da mesma marca: Dia. E depois dizem que as propagandas influenciam a gente...

Voltando

Agora nós podemos dizer que estamos morando em Lisboa!
Apartamento alugado, internet instalada, chips de celular e um telefone fixo.

Temos muitas, muitas, muitas histórias pra contar desses dias que passaram: da nossa mudança, das primeiras idas ao supermercado (nós aqui moramos perto de um minimercado), da ida ao castelo, viagem a Penafiel, do encontro com... bom, são muitas emoções. Vamos tentar colocar tudo em dia.