terça-feira, 6 de abril de 2010

Nossos irlandeses tão latinos

Nos dias que passamos em Dublin, descobrimos um país e um povo excepcional. Durante o congresso que participamos, conhecemos um peruano chamado Ernesto muito gente boa. E lá estávamos nós disparando em espanhol no meio do salão no que Ernesto protamente chamou de "La Máfia Latina". Pois ele conseguiu definir nosso sentimento em relação aos irlandeses com perfeição: "De todos os povos que eu conheci no mundo, os mais parecidos com os latinos são os irlandeses."


Para começar, 19 horas e nós procurando um restaurante para entrar ou um bar e... todos lotados! Completamente! Em plena quinta-feira e não tinha lugar para sentar. Ô povo para gostar de farra! Me lembrou bem os dias que rodamos os bares de Fortaleza e não conseguimos entrar em nenhum. E eles começam às 19 e vão até o dia nascer. Nós ficamos num albergue perto do Temple Bar e acompanhamos todos os horário de farra. Neste quesito, eles ganham em latinidade de todos os outros países.

Também são desesperados por esporte. Desesperados mesmo. Teve um jogo de rugby entre Irlanda e Escócia lá e a cidade literalmente parou e ficou verde. Todos mundo só falava do jogo e todas as televisões ficaram nele. Infelizmente, a Irlanda perdeu. Mas aí eles beberam para afogar as mágoas.

E também adoram conversar. Eu fui comprar uma revista e quase não consigo sair da banca, o vendedor ficou puxando assunto com a gente direto. Nós nos perdemos procurando o James Joyce Center e um senhor chegou para nos ajudar. Enquanto eu e Paulo conversávamos com ele, chegou outro senhor e ficou brincando: "Não, cuidado, ele vai deixar vocês mais perdidos ainda!". Eles não se conheciam, nem a nós, foi uma conversa assim nascida no meio da rua e já estavam fazendo piada um com outro. Quase que eu pergunto se eram brasileiros... 


Sem contar que Dublin é... Dublin! Arquitetura de você morrer, aquele rio passando no meio da cidade cheio de pontes. Vimos Trinity College, Dublin Castle (vale a pena fazer a visita guiada), catedrais de St. Patrick e a Christ Church (essas cobram para entrar), o James Joyce Center, a casa do Oscar Wilde, o Green Park (separe uma tarde para ficar por lá). A National Gallery lindíssima e aberta a  público. Enfim, nós voltamos querendo ficar.

Ah, e extremamente recomendado é o albergue Abbey Court. Super bem localizado, é em frente ao rio e do lado da O'Conner Street, dá para fazer tudo a pé. A cozinha é enorme, os quartos e banheiros são limpos, têm café da manhã e as pessoas são as mais gentis que já vi em albergues. Só não vá se você se pertubar com barulho porque no fim de semana os bares perto têm...farra, né? Para vocês terem idéia, esqueci meu celular lá quando saímos no domingo.Mandei um e-mail perguntando se alguém tinha achado. No sábado seguinte meu celular chegou por correio aqui em casa com um bilhetinho lindo escrito a mão pelo pessoal do albergue. Pra quem já estava com o coração derretido pelo povo irlandês...

5 comentários:

Déborah disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Déborah Vanessa disse...

Muito bom! :) Fiquei com mais vontade de conhecer Dublin. A escritora Marian Keyes sempre fala de Dublin em seus livros. Nos livros Sushi e Melancia, por exemplo, os personagens moram em Dublin ou foram pra lá por algum motivo. A própria Marian Keyes mora em Dublin com o marido. Enfim, um enorme beijos pra vocês.

Déborah Vanessa disse...

Muito bom! :) Fiquei com mais vontade de conhecer Dublin. A escritora Marian Keyes sempre fala de Dublin em seus livros. Nos livros Sushi e Melancia, por exemplo, os personagens moram em Dublin ou foram pra lá por algum motivo. A própria Marian Keyes mora em Dublin com o marido. Enfim, um enorme beijos pra vocês.

Juliana disse...

Gente, adorei! Como diz Sabrina, os irlandeses são miguxos.
Mas acho que já chega de morar longe... venham, venham!!

Eleni disse...

Geninha, você definiu muito bem os irlandeses. Até quando não conseguiam entender o "aite" do seu pai, o sorriso acolhedor nos deixava à vontade. E o lance da sacola na loja? A vendedora riu elegantemente do meu grito desesperado:GENINHA!!!! Bem diferente da vendedora de uma certa agência de passagens daqui.
Foi bom demais. Lendo seu texto, senti saudades. Só não do frio.
Beijos da Mãinha.