quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Jardim Secreto


Ontem, nós deveríamos ter ido passear mas eu perdi a hora. Voltamos para o quarto na maior tristeza, a tarde inteira sem fazer nada... Aí lembrei que ainda não tinhamos visto o que tem atrás do quarto. A vista da foto que está no Orkut é de uma janela na lateral do quarto, mas atrás das camas tem uma parede coberta por cortinas pesadas que eu tinha certeza que escondiam outra janela.

Afastei todas as cortinas e, várias janelas! Só que com vidro temperado. Chateada, procurei mexer nelas até abrir. E o que vi? Um estacionamento dentro da quadra. O quarteirão de casas guarda no seu interior um espaço super aberto, que serve de estacionamento. O Paulo viu da janela que tinha acesso do prédio do hotel para ele, era uma portinha que a Talita já tinha tentado abrir mas não conseguiu. Só que lá de cima eu não estava entendendo por onde os carros entravam. Hora de exploração. Desci

Saí pela porta do hotel com dificuldade, ela era dura. Quando fechou atrás de mim, percebi que não abria por fora. Era melhor achar a entrada dos carros porque eu ia ter que dar a volta e entrar pela frente do hotel. Caminhando pelo estacionamento fiquei impressionada com a vegetação enorme e muito bonita (como é que nãi tinha visto aquilo?). Tinha um pai jogando bola com o filho. O espaço funciona mesmo como um quintal coletivo. Achei a saída, era numa ruazinha ao lado do hotel à qual nunca tinha prestado atenção. Outra descoberta: as quadras são interligadas umas com as outras, essas pequenas ruas são como um tunel por onde passam os carros mas acima delas tem um andar de casas. Olhei para o outro lado da rua. Será que a quadra vizinha também tinha estacionamento? Hora de exploração. Entrei.

E descobri meu jardim. Tem uma quadra de basquete muito acabada e atrás dela, um lindo parque. A placa dizia "Jardim Fernando Pessa - Jornalista - 1992 - 2002". "Jornalista? Sou eu!" E já declarei posse do jardim. É um ambiente muito agradável, tinha um casal num banco, um senhor idoso lendo jornal no outro, um outro senhor só pensando na vida em outro. E vários donos de cachorros com seus companheiros. Dois labradores, um chow chow e um boxer se divertiam juntos. Lá vem o boxer em minha direção. "Pronto, vou voltar pro hotel mordida". Que nada, ele vinha com uma bola na boca. Joguei longe e ele foi buscar.

No fim do parque, tem um conjunto de estátuas de cobre chamado A Família. São perfeitas. Tem uma mulher sentada olhando para o parque, uma menina sentada perto dela segurando um pássaro e, minha preferida, um menino em cima de uma bicicleta sendo ajudado por um homem a andar nela. Tudo de cobre, inclusive a bicicleta. Lindo! Fiquei encantada no parque andando de um lado para outro. Aí começou a chover e de repente, me dei conta do frio que estava e eu sem nem um casaco. Hora de correr de volta pro quarto.

Cheguei com as mãos tão geladas que doíam. Mas valeu a pena. Hoje vou mostrar o Jardim aos meus companheiros, mas eles provavelmente não vão achar lindo como eu achei. Porque algo nele me emocionou em um lugar de onde eu não esperava nada. E, mesmo molhada e meio congelada, eu descobri meu próprio Jardim Secreto.

PS. Fernando Pessa foi correspondente da BBC durante a Segunda Guerra Mundial. Fez carreira em rádio e televisão.  Faleceu dias após de completar 100 anos como o jornalista português mais velho na ativa. Andava de bicicleta pelas ruas deste bairro até os 99 anos. A foto deste post foi tirada do blog de Luis Miguel Correia.

4 comentários:

Paulo Jr disse...

Que tal fazermos umas cenas romanticas por lá, meu amor, a la Manuel Carlo! hehe. Bj!

Ediblog disse...

Ei, meninos!
Adorei o texto. Gostei da Saga do Jardim Secreto (rsrs). Só senti falta de uma lutinha de kung-fu, tiros, perseguições, explosões... mas como vcs acabaram de chegar, não posso exigir muito. Quem sabe no próximo post? (kkkk)
Ainda estamos no trabalho. Enquanto a Ju tá ocupadíssima escrevendo muuuuitos e-mails pra mim, com todas as orientações das pendências pra tirar sua merecida semana de férias, eu tô morrendo de rir das aventuras da Eugênia... Tadinha, tô desconcentrando ela. Tá doida pra saber prq eu acho tanta graça... rsrsrsr.
Vou nessa, ávido por novos posts com novas aventuras.
Fiquem bem. Abraços.

Eleni disse...

Texto de Manoel Carlos, direção Jaime Monjardim e comando "do tal do amor", não tem pra ninguém.
Beijos.

bcatunda disse...

Me sinto viajando com vocês. Eugênia, amiga, você escreve bem demais. A gente se sente no lugar, escuta a sua voz...Não tinha como não ser jornalista. Ahhhh...estou louca pra conhecer o jardim de vocês. Bjosssssss