domingo, 15 de novembro de 2009

Nós e o Nobel - parte 2

Continuando as aventuras em Penafiel:

Domingo nós chegamos um pouco mais cedo para as palestras. E ele estava lá. Sentado no meio da platéia recebendo as pessoas. Entramos na fila e lá fomos nós pegar a assinatura do José Saramago. Pedimos a outra pessoa da fila para tirar as fotos. Ele olhou para o livro e disse: "Isso é...", eu respondi: "É a edição brasileira de O Caderno". "Ah, bom". O Paulo tinha me dado esse livro de presente de Dia dos Namorados. E cá está ele assinado.

Depois, nós tentamos tirar uma foto com a Pilar, esposa dele. Mas ela é muito tímida, olhou pro lado, viu o marido e disse, "Tire com ele que é melhor" e saiu. Quando eu estava conversando com ela, o Paulo disse: "Amor, afasta" e eu afastei para direita e quase que me bato com alguém. Quando virei para ver, era o Saramago. Sim, eu ia derrubando o Nobel. Agora, eu já penso que se eu tivesse me batido com tudo nele e ele tivesse caído ou os seguranças me matavam em seguida ou eu me jogava no chão também.

Tudo bem, passou, passou. Fomos sentar eu me tremendo toda. As palestras, mas uma vez, foram magníficas. Saramago falou muito. Uma mulher foi entregar como presente um livro que ela fez reunindo textos e pipas de vários países durante anos para dar a ele. Saramgo responde: "Como vocês podem ver, essa mulher é louca. Louca, louca.". Dessa vez Pilar também fez parte da mesa e falou muito sobre os planos da Fundação José Saramago. Essas palestras foram praticamente todas em espanhol. Tinha um pesquisador que abordou a questão da literatura dele com a Internet. O autor pediu a palavra e disse: "Quem escuta Fernando Berlim falando pode ter a idéia errada que eu entendo tudo de computador. É mentira. Toda vez que sento ali, logo posso ouvir uma voz pela casa: Pilaaaaar." Eles são realmente um casal lindo demais.

O lançamento do livro foi à noite. Completamente lotado. Imprensa, adultos, crianças... Ele conversou sobre o livro. O homem tem um discurso tão coeso que vai falando e naturalmente respondendo todas as perguntas que os jornalistas poderiam fazer. Não foi feita uma pergunta, ele ia passando pelos temas sozinho. Quando terminou, nós vimos a primeira falha da organização: não formaram a fila para os autógrafos. As pessoas voaram para cima da mesa e ficou uma senhora confusão. Nós havíamos acabado de comprar o Caim, A Caverna e o Conto da Ilha Desconhecida. Ficamos na dúvida mas entramos no esboço de fila. Eu achei que não daria tempo, a sessão começou 11 da noite. Quando deu meia-noite e meia, Pilar pediu a palavra e disse: "Pedimos desculpa, mas Saramago só assinará um livro por pessoa". Isso porque algumas pessoas haviam comprado 8, 7, 5 livros para autografar.

Aí a fila andou bem mais rapido, antes de 1 da manhã tivemos nossos 3 livros autografados. Eu com 1 e o Paulo queixou a mulher e levou 2. A sessão seguiu até 1:30. Impressionante a educação que José Saramago demonstrou com o evento. Ele esteve presente em todas as palestras, no filme, autografou até a última pessoa sair. Com a idade que tem, era compreensível se só estivesse em alguns momentos. Mas não, foi uma verdadeira demonstração de respeito com o público. E nossa paixão pelo autor e pela pessoa só aumentou. Essa foto dele com Pilar foi tirada do site Bahia em Pauta.


No dia seguinte, nos despidimos de Penafiel e pegamos nossos 2 comboios para Lisboa. Bem menos fria, é verdade, mas menos encantadora também. Não tinha Saramago nela.

3 comentários:

Marco disse...

Adorei a crônica! Que coisa linda... Um desses momentos únicos na vida da gente, né, Gena? Fico eu aqui com uma inveja branca de vocês.

... e tudo começou maravilhosamente bem. Promessas do que virá.

Beijo em vocês.

Eleni disse...

Agora entendo porque você disse Geninha, que só por este evento já valeu a pena ter ido à Europa... De fato, foram momentos especialíssimos. Mesmo sem conhecer muito de Saramago como vocês, também estou branca de inveja. Ou é com inveja branca?... Beijos.

D. disse...

Nem acredito que vocês estiveram com o Saramago!!! Maravilhoso!!!